No galinheiro da Fazenda Boa Esperança, vivia uma galinha chamada Lili. Diferente das outras, ela passava os dias olhando para o céu, encantada com as águias que planavam livres sobre as montanhas.

– “Um dia, eu vou voar alto como elas”, dizia Lili, com brilho nos olhos.

As outras galinhas apenas riam. “Coitada da Lili… Galinha não nasceu pra voar”, diziam, cacarejando às gargalhadas.

Mas Lili não se importava. Todos os dias, depois de ciscar o milho e botar seus ovos, ela ia até a cerca mais alta do galinheiro, subia no tronco de madeira e tentava voar.

Batia as asas com toda a força que tinha, mas só conseguia flutuar por alguns segundos antes de cair. Mesmo assim, ela nunca desistia. “Se eu continuar tentando, vou conseguir ir mais longe amanhã.”

O tempo passava, e a cada tentativa, Lili melhorava um pouquinho. Aprendeu a controlar o vento, a equilibrar-se melhor, a pousar com menos tropeços.

Ainda não voava como uma águia, mas já alcançava os galhos mais baixos das árvores, o que nenhuma outra galinha jamais tinha feito. Mesmo assim, as zombarias continuavam: “Voar é coisa de ave grande, Lili! Aceita logo que você é só uma galinha!”

Certa vez, uma tempestade forte atingiu a fazenda. A ventania derrubou parte da cerca, e muitos pintinhos se perderam no mato.

As galinhas entraram em pânico, correndo de um lado para o outro, sem saber o que fazer. Mas Lili, com sua coragem e prática de subir em lugares altos, pulou na cerca caída e alçou seu voo mais longo até então — planou até uma árvore e avistou os pintinhos escondidos entre as folhas.

Sem pensar duas vezes, Lili desceu em saltos rápidos, guiando os pequenos de volta em segurança. Quando retornaram ao galinheiro, todos olharam para ela com olhos arregalados.

Pela primeira vez, não havia risos — havia respeito. “Você… você salvou todos eles”, disse uma das galinhas mais velhas, com a voz embargada.

Depois desse dia, ninguém mais riu dos sonhos de Lili. Algumas até começaram a treinar com ela, subindo em troncos, abrindo as asas, sentindo o vento. Lili percebeu que, mesmo não sendo uma águia, ela podia ensinar outras galinhas a se superarem, a acreditarem em si mesmas. E isso era mais bonito do que qualquer voo alto.

Com o tempo, Lili entendeu que o que ela admirava nas águias não era só o voo, mas a liberdade, a coragem, a leveza.

E tudo isso ela já tinha — à sua maneira. Voar alto, afinal, não era só questão de asas, mas de atitude. Ela aprendeu a se valorizar não por aquilo que queria ser, mas por tudo o que já era.

Em uma manhã tranquila, enquanto o sol dourava o galinheiro, Lili olhou para o céu, viu uma águia planando no alto e sorriu.

“Eu não preciso ser como ela”, pensou. “Sou feliz sendo Lili — a galinha que tentou voar… e foi além do que qualquer uma imaginou.”

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