Imagine você escondido atrás de uma coluna no grande salão onde Cinderela e o Príncipe estão dançando…
A música ainda ecoa suave, mas há algo prestes a mudar.
No centro do salão, ela gira…
O vestido, leve como um suspiro, acompanha cada movimento com um brilho que não parece pertencer a este mundo. O príncipe a conduz com cuidado, como se temesse que ela desaparecesse a qualquer instante — e talvez, sem saber, ele esteja certo.
Você percebe algo que os outros não percebem.
Ela olha, discretamente, para o alto e vê que o relógio irá bater as 12 badaladas.
O som atravessa o salão como uma onda invisível. Os convidados mal notam. Mas você vê: o sorriso dela vacila.
O príncipe segura sua mão com mais firmeza, tentando trazê-la de volta para o momento. Ele não entende. Como poderia?
Ela solta a mão dele. E então ela corre.
Você a acompanha com os olhos enquanto ela atravessa o salão, ignorando os chamados, os olhares, a confusão crescente. O príncipe demora um segundo para reagir. Mas já é tarde. Ela já está longe.
Você percebe: o encanto está se desfazendo, fio por fio.
E então um pequeno som seco e um dos sapatinhos de cristal fica para trás.
Quando as portas do castelo se abrem e ela desaparece na noite, o brilho do salão parece exagerado demais, vazio demais.
E você, ainda observando de longe, percebe algo naquele instante que aquela dança não terminou. Ela apenas começou.





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